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Escola Deai - Graduações
Critérios para atribuição de graduações Dan | Critérios para atribuição de graduações Kyu | Responsabilidade na atribuição das graduações |


As Graduações na AAS e Escola Deai

Uma das questões tabu na maior parte das escolas de artes marciais é a das graduações. Toda a gente pensa nelas e lhes dá importância mas não se fala disso e a maior parte dos praticantes, professores e mestres esforçam-se imenso para mostrar que estão acima desse problema.

 As graduações têm para nós uma dimensão objectiva. Quero dizer com isto que elas já existiam quando nós, que lemos estas linhas, nascemos. Não foram criadas por nós. Quando entrámos num dojo pela primeira vez elas já lá estavam. Chegaram lá muito tempo antes de nós. Nalguns dojos há pequenas placas de madeira, penduradas nas paredes e distribuídas em forma de pirâmide, com o nome dos praticantes e a respectiva graduação. Os folhetos informativos que nos são distribuídos nos dojos têm a indicação dos horários, informações sobre a arte, o nome do professor ou do mestre assim como a indicação da sua graduação e do seu título, se for caso disso.

Quem decide praticar aikido, antes de entrar num dojo, pensa em muitas coisas, alguns já têm algumas ideias acerca da arte, mas há uma coisa que não passa pela cabeça de ninguém que se prepara para se iniciar: as graduações. No entanto, mal entra no dojo, esta questão que não se havia ainda revelado, passa a ter um enorme significado.

Quando se entra num dojo é frequente ouvir-se a frase: “As graduações não são importantes o que é importante é a prática”.

 Se não é importante por que razão na maior parte dos dojos, no cerimonial de abertura e de fecho da aula, os praticantes alinham por ordem de graduação?

 Se não é importante, por que razão os alunos são classificados em termos de Kyu e Dan, vestindo um hakama de cor preta ou azul escura a partir de um determinado nível?

 Se não é importante por que razão muitos mestres e responsáveis pelos dojos, fazem figurar a sua graduação por todo o lado?

 Se não é importante por que razão muitos mestres investiram tanto na obtenção das suas graduações e procuram que estas sejam reconhecidas por organismos cada vez mais importantes?

 O mais curioso é que muitas vezes são aqueles que têm as graduações mais altas e que mais lutaram para as obter que dizem isto aos mais novos. Ouvimos esta frase também da boca daqueles que se consideram estar num nível superior ao da graduação que têm. Desvalorizam-na porque acham que merecem uma graduação mais elevada. Ou seja, é porque as graduações são muito importantes para eles que as desvalorizam.

 O facto de a prática ser o mais importante, não significa que outras coisas não sejam importantes.

 A minha convicção é que em muitos casos se complica uma questão muito simples. Complica-se para se protegerem interesses pessoais. E o que vemos, mas poucos têm coragem para dizer, é que à volta deste problema há uma imensa hipocrisia.

 Perde-se tempo a complicar, perde-se tempo a tentar descomplicar, perde-se tempo a enfiar na mente dos mais novos que a complicação é deles, perde-se tempo a tentar viver com a complicação, perde-se tempo a aturar aqueles que complicam para defenderem os seus interesses.

Heidegger disse: “o mistério do tempo é que não temos tempo”. Pois é isso mesmo que na Associação de Aikido do Sul e na Escola Deai se pensa. Não temos tempo para perder com o problema das graduações por isso vamos impedir que estas se tornem um problema. Assim, para acabar de vez com o problema das graduações, tomámos as seguintes medidas:

 1. Assumimos a total autonomia na atribuição de qualquer graduação que acharmos adequada de 5º Kyu a 10º Dan.

 2. Estabelecemos critérios claros e tanto quanto possível objectivos para a obtenção das graduações. Quem satisfizer esses critérios obterá as graduações, sejam elas quais forem.

 3. A associação reconhecerá automaticamente as graduações que forem atribuídas aos seus membros pelas organizações em que esteja filiada.

 A filosofia subjacente ao nosso sistema de atribuição de graduações inspira-se no da escola Fugakukai – Tomiki Aikido. Este sistema impede a transformação da estrutura piramidal saudável numa estrutura em forma de cogumelo de caule fino e suportado por uma larga base.

 Se se estabelece como tecto, digamos 7º dan, que é o que parece ter acontecido na Aikikai relativamente aos mestres não japoneses, a pirâmide transforma-se rapidamente em cogumelo, que é o que acontece por todo o lado. Suponhamos que um mestre recebeu o seu 7º dan ao fim de 20 anos de prática e ficou por aí. Os seus alunos mais dotados, com o mesmo tempo ou mais terão de ficar, digamos, por 5º Dan. Os melhores alunos destes últimos, com 20 ou mais anos de prática, irão no máximo a 3º a 4º Dan. Será que alguém pode explicar a justiça deste sistema? Não é de estranhar que de cima venham as palavras sábias: “as graduações não são importantes”. Não há outra maneira de perpetuar este sistema a não ser através desta filosofia que ensina a superioridade do estar abaixo do que se merece.

 De facto as graduações não são o mais importante, e esta atitude é uma atitude sábia, o que não é sábio é utilizar uma máxima cheia de sabedoria para perpetuar um sistema injusto e defender feudos e interesses pessoais de poder e domínio.

Quem tiver interesse em conhecer o sistema da Fugakukai, pode ler os excertos da carta de Karl Geis a um praticante brasileiro de nome Ubaldo Alcântara que publicamos neste nosso site.

Manuel Galrinho