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Aikideai - Livros e Cinema

Seppuku  [Imprimir]
Artigo de: Eduardo Tavares
Publicado em: 2009-04-17

Há uns anos, um meu amigo emprestou-me um filme, e disse-me:
"Os outros filmes japoneses, ao pé desse, são fraquinhos. É como comparar hamburgers com bife do lombo."

O filme chamava-se Seppuku.

A metáfora era culinária, inusitada, mas na verdade, depois de visto o filme, percebi.
Gosto muito dos filmes do Kurosawa, que vejo e revejo várias vezes. Mas Seppuku, do realizador Masaki Kobayashi,  é diferente.

É um prato especial, que só se come de vez em quando. Forte, intenso, exigente. Os ingredientes:

Infelicidade, Candura, Azar, Crueldade, Humilhação e Vingança, q.b.
Amargura, com um sabor doce no fim...

É, de entre os filmes a preto e branco que vi, talvez o mais belo. A fotografia é de Yoshio Miyajima, desconhecido no ocidente, mas vencedor de vários prémios no Japão.

A música é extraordinária. Tensa, acutilante. De Toru Takemitsu, considerado o compositor japonês mais importante do Séc.XX, "descoberto" pela cultura ocidental, quase por acaso, por Igor Stravinsky, numa visita ao Japão.

O actor principal, Tatsuya Nakadai, é por alguns considerado melhor que Toshiro Mifune. Por mim, não sei dizer de qual gosto mais. A sua interpretação mais conhecida é a do velho senhor, em Ran, de Kurosawa.

Masaki Kobayashi ganhou o Prémio Especial do Júri de Cannes com este filme. Não é hoje muito conhecido mas tem uma obra muito importante no panorama do cinema Japonês.
Era um pacifista, foi recrutado na 2ª Guerra Mundial, mas recusou-se a combater...

O seu pacifismo é notório no filme. Depois de o ver ninguém fica com vontade de andar armado em samurai. O filme mostra o lado sinistro do sistema feudal. As fraquezas, disfarçadas de tradicionalismo e ritual.

E tem, apesar do pacifismo, as melhores cenas de combate com sabre que conheço.

O filme aparece normalmente sobre o nome Harakiri, título da sua distribuição nos EUA.

Para mais informação: http://www.imdb.com/title/tt0056058/